
Depois de meses de expectativa, o Sorriso Maroto finalmente entregou aos fãs do pagode o presente completo: nesta sexta-feira (31/07), o grupo carioca disponibilizou em todas as plataformas digitais o álbum “Sorriso Eu Gosto No Pagode – Lado B”, fechando com chave de ouro a trilogia que celebra os 25 anos de carreira da banda. São 18 faixas gravadas ao vivo, cheias de suor, plateia cantando junto e aquele clima de resenha que só o pagode de raiz consegue proporcionar.
O projeto foi registrado em maio deste ano no Galpão do Engenhão, no Rio de Janeiro, espaço que se transformou em point de gravações ao vivo da cena do samba e do pagode nos últimos anos. Ali, o Sorriso Maroto reuniu num só palco nomes que atravessam gerações: de veteranos consagrados a talentos que despontaram justamente regravando as próprias músicas do grupo nas redes sociais e nas rodas de samba país afora.
Uma trilogia pensada em três atos para celebrar os 25 anos de carreira
Para quem acompanha a trajetória do Sorriso Maroto, o “Lado B” não chega isolado. Ele é a terceira e última etapa de um projeto maior, planejado especialmente para marcar o quarto de século de estrada da banda. Na primeira fase, veio o “Sorriso Eu Gosto no Pagode Vol. 1”, que resgatou parte do repertório mais antigo do grupo com a participação de amigos de cena, embalado ainda pela turnê “Sorriso As Antigas”, que levou os clássicos do início de carreira para o país inteiro.
Na segunda etapa, vieram os volumes 2, 3 e 4, dedicados a homenagear grupos clássicos do pagode que influenciaram a própria história do Sorriso Maroto — um gesto de gratidão e reverência às raízes do gênero. Foi o Volume 3, gravado em Londres, no histórico estúdio Abbey Road, em homenagem ao Fundo de Quintal, que rendeu ao grupo o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode em 2025 — um dos reconhecimentos mais importantes da carreira da banda. Já o Volume 4 seguiu a mesma lógica de homenagens, prestando tributo ao Só Pra Contrariar (com participação de Alexandre Pires) e à Raça Negra, coroando o esforço conjunto da trilogia em manter viva a memória musical do pagode romântico e de resenha que embalou os anos 1990 e 2000 e formou gerações de fãs.
Agora, no terceiro e último capítulo, o “Lado B” inverte a lógica: em vez de olhar só para trás, o Sorriso Maroto abre espaço para o futuro do gênero, unindo veteranos consagrados e a nova geração que vem regravando e reverenciando as canções do grupo. É uma espécie de festa de agradecimento — e também de passagem de bastão para quem carrega o pagode adiante.
Quem canta com o Sorriso no “Lado B”
A lista de participações é gigante e mistura o batalhão histórico do pagode com os nomes que estão bombando agora. Passam pelo álbum artistas como Ferrugem, Grupo Benzadeus, Darlan, Belo, Renan Oliveira, Samba de Dom, Thiaguinho, Lucas Morato, Fabinho, Péricles, Marvvila, Yan, Ludmilla, Gamadinho, Kamisa 10, Dilsinho, Davi Quaresma, Akatu, Mumuzinho, Manda Lynn, Farias, Turma do Pagode, Som de Faculdade, Thiago Soares e Xande de Pilares ao lado do Revelação — no total, mais de quinze parceiros dividindo microfone com o Sorriso Maroto nesse projeto gravado ao vivo.
A faixa que abre o disco é “Limite”, com a participação de Ferrugem e do Grupo Benzadeus, dando logo de cara o tom de resenha animada que marca o restante do repertório. Já “Não Mereço Ser Amante”, com Kamisa 10 e a cantora Ludmilla, vem sendo tratada como uma das apostas mais fortes do álbum, mostrando mais uma vez o trânsito que existe entre o pagode e outros gêneros populares brasileiros. Ludmilla também aparece em “Meu Plano”, ao lado de Gamadinho, reforçando a parceria dupla dela dentro do projeto.
Quem explicou a lógica por trás do “Lado B” foi o vocalista Bruno Cardoso, em entrevista à Billboard Brasil. Segundo ele, a intenção desde o início era fugir do modelo tradicional de ir soltando faixa por faixa nas plataformas de streaming ao longo de meses. “A gente não enxerga esse projeto separado, lançando uma faixa de cada vez”, afirmou o cantor, justificando por que o grupo optou por liberar o álbum completo de uma só vez, com as 18 músicas disponíveis simultaneamente para o público ouvir, repetir e compartilhar nas redes.
Bruno também comentou o motivo de tantas parcerias com artistas mais jovens da cena. “Ultimamente o Sorriso vem sendo muito regravado por essa safra nova de artistas do samba/pagode, então nos perguntamos: por que não gravarmos juntos?”, disse o vocalista, resumindo o espírito coletivo que motivou boa parte das escolhas de elenco do álbum.
Com “Lado B”, o Sorriso Maroto fecha uma trilogia que resume perfeitamente os 25 anos de estrada do grupo: memória, celebração e renovação, tudo dentro de um dos gêneros mais populares do Brasil. Para quem já separou a resenha com os amigos, o álbum completo é sinônimo de roda de samba, playlist nova e aquele refrão cantado em uníssono que só o pagode carioca sabe entregar. “Sorriso Eu Gosto No Pagode – Lado B” já está disponível em todas as plataformas de streaming.
O Volume 3 e a gravação histórica em Abbey Road
O feito que rendeu o Grammy Latino ao Sorriso Maroto merece destaque: para o Volume 3, a banda viajou até Londres para gravar homenagens ao Fundo de Quintal no lendário estúdio Abbey Road — o mesmo espaço eternizado pelos Beatles e por décadas de gravações históricas da música mundial. Levar o pagode carioca para dentro de um dos templos mais reverenciados da indústria fonográfica internacional reforçou o significado simbólico do projeto, e a repercussão do disco culminou no reconhecimento da Latin Recording Academy, consolidando a trilogia “Sorriso Eu Gosto no Pagode” como um dos projetos mais premiados da história recente do grupo.
Faixa por faixa: os primeiros destaques do “Lado B”
Segundo o que já se sabe sobre o repertório do novo álbum, “Limite”, com Ferrugem e o Grupo Benzadeus, abre o disco no clima de resenha animada que marca o restante das 18 faixas. “Não Mereço Ser Amante”, com Kamisa 10 e Ludmilla, já é apontada como uma das apostas mais fortes do projeto, evidenciando o trânsito crescente entre o pagode e outros gêneros populares brasileiros. Ludmilla, aliás, aparece duas vezes no álbum — também em “Meu Plano”, ao lado de Gamadinho — o que reforça o peso dado pela produção à presença da cantora dentro dessa nova fase do projeto.
Por que lançar tudo de uma vez, e não em partes
A decisão de disponibilizar as 18 faixas simultaneamente, em vez do modelo mais comum de liberar uma música por vez ao longo de meses, reflete uma visão específica do vocalista Bruno Cardoso sobre a unidade do projeto: para ele, fragmentar o “Lado B” em lançamentos espaçados quebraria a lógica de conjunto que a trilogia pretendia entregar. Essa escolha vai na contramão de boa parte da indústria musical atual, que costuma preferir lançamentos escalonados justamente para manter o artista em evidência por mais tempo nas plataformas — um risco calculado que só faz sentido para um grupo já com base de fãs consolidada e histórico comprovado de sucesso comercial em lançamentos anteriores.
Uma trilogia que resume 25 anos de trajetória
Do resgate do repertório mais antigo do próprio grupo, passando pelas homenagens a Fundo de Quintal, Só Pra Contrariar e Raça Negra, até a abertura para a nova geração no “Lado B”, a trilogia “Sorriso Eu Gosto no Pagode” funciona como uma narrativa completa da trajetória do Sorriso Maroto: memória, celebração das raízes e passagem de bastão para quem hoje mantém o pagode vivo nas redes sociais e nas rodas de samba pelo país, fechando os 25 anos de carreira do grupo com um projeto que, na prática, resume toda essa história em três capítulos.