Por ocasião do lançamento do álbum “Sentimento”, disponibilizado nas plataformas digitais em 22 de janeiro de 2026, Ferrugem concedeu entrevista falando sobre os bastidores do projeto e sobre como essa nova fase da carreira foi tomando forma.
Dois anos de trabalho ao lado de Lincoln de Lima e Valério Brair
O álbum reúne 12 faixas inéditas, escolhidas “a dedo” pelo próprio artista, com foco em canções que gerem identificação direta com o público. Segundo Ferrugem revelou na entrevista, foram dois anos lapidando o disco ao lado do produtor Lincoln de Lima e do diretor musical Valério Brair — um processo que, segundo o próprio cantor, chegou a ser interrompido em determinado momento antes de ser retomado até a versão final que chegou às plataformas.
Esteticamente, “Sentimento” revisita o samba dos anos 1970, com referências aos programas musicais da época. O próprio Ferrugem define o resultado como um disco “de fogo brando”: romântico sem ser meloso, intimista sem perder a identidade rítmica do pagode — uma descrição que resume bem o equilíbrio que o artista buscou entre a emoção das letras e a raiz rítmica do gênero.
Um nome que virou identidade
Um dos pontos mais marcantes do que o cantor revelou é como o público e a crítica passaram a associá-lo diretamente ao conceito por trás do título do álbum. Em suas próprias palavras: “Me transformaram nessa personificação de sentimento. Eu adorei, cara, porque de fato, enquanto eu estiver fazendo música, vai ser com o máximo do meu sentimento”. A frase resume bem por que o artista decidiu justamente esse nome pro projeto — não como um conceito abstrato de marketing, mas como reconhecimento de algo que o público já vinha atribuindo a ele havia tempo.
Da experiência pessoal pra composição
Assim como em trabalhos anteriores, Ferrugem manteve no “Sentimento” a proposta que marcou sua trajetória desde o início: transformar vivências de amor e dor em canções que conversam diretamente com quem ouve. Segundo o próprio artista, “a melhor forma de tocar o coração de uma pessoa, o caminho mais curto para isso, é cantar aquilo que me causa esse tipo de sentimento”. A diferença nesse álbum, segundo ele mesmo sinaliza, está no olhar mais maduro sobre as relações afetivas — resultado natural de uma carreira que já passou por várias fases: “Hoje, com 37 anos, me considero um cara maduro e preparado para entregar minha maturidade através da música para as pessoas”, afirmou o cantor.
Entre as 12 faixas do álbum, Ferrugem destacou “Arco e Flecha” como a que mais o emociona — canção do jovem compositor Enry Sanches que remete o cantor ao início do relacionamento com a esposa, Thaís Vasconcellos. O disco também teve antecipações estratégicas antes do lançamento completo, com “Apagar” e “Arrependidaço” chegando primeiro às plataformas para aquecer a expectativa do público.
Um lançamento que não parou nas 12 faixas do álbum
O processo criativo por trás de “Sentimento” não se encerrou no dia do lançamento. Meses depois, em maio, o cantor ainda voltou com “Amar ou Odiar”, faixa que ele já havia sinalizado durante a entrevista de lançamento como uma espécie de bônus escondido dentro do processo do álbum. Na ocasião, Ferrugem já demonstrava confiança no apelo universal da música: “Essa música eu acho que vai pegar todo mundo, é tipo tema de novela, de casal e tudo mais” — previsão que se confirmou com o desempenho da faixa nas plataformas de streaming após o lançamento solo em maio.
Por que isso interessa pra quem acompanha o pagode
Entender o processo por trás de um álbum que já soma dezenas de milhões de plays ajuda a entender também pra onde o pagode romântico está caminhando — e por que artistas como Ferrugem seguem sendo referência de como transformar sentimento em sucesso de streaming. A escolha de revisitar o samba dos anos 1970 também mostra um movimento comum entre artistas consolidados do gênero: buscar raízes históricas do samba e do pagode como forma de dar profundidade a um repertório romântico que, sem essa referência, poderia soar repetitivo depois de tantos álbuns na carreira.
O que uma entrevista de processo criativo revela
Entrevista de bastidor tem um valor diferente da matéria de lançamento: ela não fica só no anúncio do produto final, mas tenta entender o caminho até ali. No caso de Ferrugem, ouvir o próprio artista comentar como ele passou a ser identificado com a ideia de sentimento dentro da cena ajuda o público a enxergar o álbum não como um trabalho isolado, mas como consequência de uma trajetória inteira construída em cima do mesmo tema.
Amadurecer sem perder a essência
Um dos pontos que mais chama atenção na fala do cantor é justamente esse equilíbrio entre manter a fórmula que deu certo — canções que nascem de vivência real de amor e dor — e ao mesmo tempo trazer um olhar mais maduro pra dentro dessas composições. É um desafio comum a qualquer artista que já construiu um público fiel: como evoluir sem abandonar o que fez esse público chegar até ali. A escolha de trabalhar dois anos num único álbum, ao lado da mesma dupla de produção, sugere que Ferrugem tratou esse equilíbrio com cuidado, em vez de simplesmente repetir a fórmula de discos anteriores.
Por que o pagode romântico segue relevante
O pagode romântico é, historicamente, um dos subgêneros que mais dialoga diretamente com quem ouve — não é à toa que canções desse estilo viram trilha sonora de momentos específicos na vida de quem acompanha. Entender o processo por trás de um álbum assim, com a fala do próprio artista sobre como ele enxerga a própria obra, é uma forma de aproximar ainda mais o público desse tipo de produção.
O que fica depois da entrevista
Passado o burburinho do lançamento, é justamente esse tipo de relato de bastidor que continua tendo valor pra quem quer entender a obra além da primeira escuta. Uma entrevista bem conduzida funciona quase como um guia de leitura do álbum: ajuda o ouvinte a perceber intenções que talvez passassem despercebidas numa audição mais corrida, e reforça por que faixas como “Arco e Flecha” foram escolhidas como ponto emocional mais alto do projeto.
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A trajetória de Ferrugem antes do “Sentimento”
Natural do Rio de Janeiro, Ferrugem construiu carreira solo desde o início, sem passar por um grupo consolidado antes de despontar como artista principal — trajetória diferente da de boa parte dos nomes tradicionais do pagode, que costumam se formar dentro de bandas antes de seguir carreira própria. Ao longo da década de 2020, o cantor se consolidou como uma das vozes mais executadas do pagode romântico, construindo uma discografia marcada por composições que tratam relações afetivas de forma direta e emocional — a mesma proposta que ele reafirma, de forma ainda mais madura, em “Sentimento”.
Por que dois anos de produção é um tempo raro no pagode
No universo do pagode romântico, marcado historicamente por lançamentos rápidos e ciclos de produção mais curtos, dedicar dois anos inteiros a um único álbum é uma escolha pouco comum. Esse tempo estendido de produção, ao lado da mesma dupla de produtores do início ao fim, sugere um cuidado equivalente ao que costuma ser reservado a projetos de artistas de outros gêneros musicais com discografia mais conceitual — uma diferença que Ferrugem parece ter buscado deliberadamente ao tratar “Sentimento” como um projeto de maturidade artística, e não apenas mais um disco de inéditas para alimentar o calendário de shows.