Péricles e Ferrugem seguem viajando o Brasil com a turnê “As Vozes”, que ganhou reforço em julho com o lançamento do segundo volume do audiovisual “As Vozes ao Vivo em São Paulo”. O projeto reúne 18 faixas entre grandes sucessos das carreiras dos dois artistas, releituras de clássicos do pagode e quatro inéditas — com destaque pra “Eu Te Avisei”, que já ganhou clipe.
Imagem: Divulgação/Billboard Brasil
A cronologia do lançamento do Vol. 2
O Vol. 2 do audiovisual “As Vozes ao Vivo em São Paulo” chegou às plataformas digitais no dia 30 de julho, às 21h, completando o registro do projeto que já havia sido apresentado em partes ao longo do ano. No dia seguinte, 31 de julho, ao meio-dia, foi a vez do clipe da inédita “Eu Te Avisei” estrear no YouTube — estratégia de lançamento escalonado que ajuda a manter o projeto repercutindo por mais tempo nas plataformas de streaming e nas redes sociais dos dois artistas.
Como o projeto nasceu
O encontro entre as duas vozes do pagode romântico brasileiro começou como uma parceria pontual entre Péricles e Ferrugem e virou um dos maiores sucessos do gênero em 2026. A turnê teve sua estreia oficial ainda no primeiro semestre, com apresentações em Salvador e depois em São Paulo, no Espaço Unimed, já com casa cheia. Depois de esgotar casas de show em diversas capitais, Péricles e Ferrugem levaram “As Vozes” pra estádios e arenas maiores, misturando o repertório de cada um com parcerias inéditas gravadas ao vivo.
Onde a dupla já passou e pra onde vai
Ao longo de 2026, a turnê “As Vozes” já passou por praças como Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus, Belém, Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto. Em agosto, especificamente, a turnê passou por São Paulo (dia 14, no CTN) e por Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador (dia 19). Já há confirmação de uma nova apresentação em Goiânia, marcada para 13 de dezembro, fechando o ano com data especial na capital goiana. A expectativa segue também pela sequência de novas datas em outras capitais ainda sem confirmação oficial de dia e local — anúncios que costumam sair primeiro nas redes sociais dos próprios artistas e no site oficial da turnê.
Por que “As Vozes” conquistou o público
Parte do sucesso do projeto está no formato: em vez de um show tradicional de convidado especial, Péricles e Ferrugem dividem o palco o tempo todo, revezando vocais e criando momentos de dueto que não existem em nenhum outro show do gênero. Pra quem cresceu ouvindo os dois separadamente — Péricles com sua trajetória à frente do Exaltasamba, grupo que ele ajudou a fundar em 1986 e que soma 15 álbuns e quatro DVDs ao longo de 26 anos de carreira, antes de embarcar solo em 2012, e Ferrugem consolidado como uma das vozes mais identificadas do pagode da nova geração —, ver as duas vozes se completando ao vivo é o principal motivo dos ingressos esgotarem rápido em cada cidade.
O peso das 18 faixas do audiovisual
O repertório de 18 faixas reunido no audiovisual completo funciona como um raio-x da proposta do projeto: de um lado, os grandes sucessos de cada carreira, que garantem o momento de nostalgia com o público que já acompanha os dois artistas há anos; de outro, releituras de clássicos do pagode, que ampliam o projeto para além do repertório autoral e dialogam com uma audiência ainda mais amplas de fãs do gênero; e, por fim, as quatro inéditas, que garantem ao projeto uma vida própria além da turnê em si — já que faixas como “Eu Te Avisei” seguem circulando nas plataformas de streaming e alimentando a repercussão mesmo entre uma data de show e outra.
O momento do pagode romântico em 2026
O sucesso de “As Vozes” acontece num momento de força do pagode romântico no mercado musical brasileiro, com parcerias entre grandes nomes do gênero se tornando cada vez mais comuns como estratégia de turnê — um caminho que já vinha sendo testado por outros artistas do gênero em formatos de dupla ou trio, mas que encontrou em Péricles e Ferrugem uma combinação de vozes especialmente bem recebida pelo público, a julgar pelo ritmo de vendas de ingressos e pelo volume de conteúdo gerado nas redes sociais a cada nova data anunciada.
Quem são Péricles e Ferrugem
Péricles Aparecido Fonseca de Faria nasceu em 22 de junho de 1969, em Santo André (SP). Antes de se dedicar à carreira artística, trabalhou como sapateiro, metalúrgico, cabeleireiro e inspetor de escola, até ajudar a fundar o Exaltasamba em 1986 — grupo que se tornaria um dos maiores fenômenos do pagode nacional entre os anos 1990 e 2000, com 15 álbuns e quatro DVDs gravados ao longo de 26 anos de atividade e milhões de discos vendidos no país. Quando o Exaltasamba encerrou as atividades, em 2012, Péricles seguiu para a carreira solo com o CD e DVD “Sensações”, que trouxe o hit “Linguagem dos Olhos” e confirmou a força do cantor fora do grupo que o lançou nacionalmente.
Ferrugem, por sua vez, representa a geração mais recente do pagode romântico: natural do Rio de Janeiro, construiu carreira solo desde o início, sem passar por um grupo consolidado antes, e se tornou um dos nomes mais executados do gênero na década de 2020, com uma discografia marcada por canções que tratam relações afetivas de forma direta e emocional — características que também aparecem em seu álbum mais recente, “Sentimento”, lançado em janeiro de 2026.
Uma união de gerações diferentes do pagode
O encontro entre Péricles, hoje com 56 anos e mais de três décadas de carreira, e Ferrugem, expoente de uma geração mais nova do gênero, é parte do que explica o apelo de “As Vozes” para públicos de idades diferentes: quem acompanha o pagode desde os tempos do Exaltasamba encontra no projeto uma ponte direta com a nostalgia dos anos 1990 e 2000, enquanto o público mais jovem, que conheceu o gênero através de artistas como Ferrugem, vê no mesmo show uma conexão com o presente do pagode romântico.
O peso simbólico dos duetos ao vivo no pagode
Registrar parcerias em formato de dueto ao vivo, como fazem Péricles e Ferrugem na turnê “As Vozes”, tornou-se uma estratégia recorrente no pagode romântico dos últimos anos, especialmente depois do sucesso de outros projetos semelhantes no gênero. A lógica é simples: juntar dois públicos fiéis diferentes em um único produto — show, álbum ou audiovisual — tende a gerar um alcance maior do que a soma dos públicos individuais de cada artista, já que fãs de um lado costumam se interessar pelo outro simplesmente pela qualidade do encontro.
Esse modelo também favorece a criação de faixas inéditas gravadas especificamente para o projeto conjunto, como aconteceu com “Eu Te Avisei”: composições que nascem já pensadas para dividir os vocais entre os dois artistas, diferente de uma simples participação especial numa faixa que já pertence ao repertório de um deles. É esse tipo de construção musical pensada para o dueto — e não apenas encaixada nele — que costuma diferenciar os projetos mais bem-sucedidos do gênero dos encontros pontuais sem continuidade.
É esse cuidado de produção, e não apenas o encontro de dois nomes grandes, que ajuda a explicar por que “As Vozes” segue lotando casas mesmo depois de mais de um ano de turnê contínua pelo Brasil.